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sexta-feira, 9 de março de 2007

Casa Auto Sustentável


Casa auto-sustentável - O desenvolvimento de novos materiais e processos construtivos chega enfim à maturidade, viabilizando o conceito de habitação que gera a energia de que precisa e ainda "exporta" a parte excedente para a rede pública. Isso se traduz, por exemplo, na existência de dois medidores de fluxo elétrico: o tradicional, que registra o consumo, e um segundo, para marcar a quantidade de energia fornecida pela habitação à rede pública. A conta final, de crédito ou débito, é expressada pela diferença entre esses dois números. O que implica também numa nova postura das autoridades e concessionárias de energia, que sempre direcionaram suas políticas no sentido da venda de eletricidade, nunca na compra de energia no mercado varejista representado pelo consumidor/produtor final.
E como as habitações conseguem essa proeza? Primeiro, com os novos painéis solares nos telhados, que já atingem altos graus de eficiência na transformação da energia luminosa em elétrica. Segundo, com o uso de materiais construtivos e equipamentos para regular e conservar a temperatura interna ideal com o mínimo de desperdício: paredes e pisos termo-isolantes, técnicas construtivas que permitam melhor aproveitamento dos recursos naturais (ventilação, por exemplo), filtros solares nas janelas, condicionadores de ar e aquecedores mais precisos, cabos condutores de eletricidade com menor perda, além de eletrodomésticos, torneiras e chuveiros mais econômicos.
Bio-construção - O processo não termina aí. A preocupação se estende ao uso de materiais que não agridam a natureza, tanto na fabricação da matéria-prima como na construção imobiliária em si e no uso posterior do imóvel. Substitutos da madeira, tintas e vernizes menos tóxicos, vidros com filtragem seletiva de raios solares (evitando excessos e raios nocivos), equipamentos para reutilização da água e reciclagem de outros materiais (reduzindo principalmente os rejeitos sanitários e seus efeitos ambientais), até mesmo isolantes acústicos mais perfeitos, técnicas construtivas que permitam reduzir o canteiro de obras e conseqüentemente a agressão ambiental causada pela construção em si (e pelas demolições necessárias), são alguns dos exemplos.
O impulso, na Europa, é dado por uma série de regulamentações transnacionais, como os acordos para o uso da madeira (projeto europeu de florestas certificadas), a certificação ambiental voluntária ISO 14001, as leis de orientação energética, o Plano Solar, as leis de renovação urbana, o conceito de Alta Qualidade Ambiental (haute qualité environnementale - HQE), o novo projeto europeu LCC-Refurb (Life Cycle Cost analysis in Building Refurbishment), o projeto de regulamentação térmica RT-2500 que será adotado em 2006. Aliás, a União Internacional dos Arquitetos (UIA) apresentou na conferência Batimat os resultados de seu programa de formação de arquitetos em desenvolvimento sustentável e integração de energias renováveis. Também está surgindo o Intelligent Building Group (IBG), para reunir os participantes desse novo mercado internacional de construções inteligentes.
E não se fala em redução de lucros, pelo contrário. Os industriais estão descobrindo um novo e lucrativo mercado para produtos com características de proteção ambiental, com maior durabilidade e menor despesa de fabricação. Os novos processos construtivos também resultam em economias importantes, que se traduzem num menor custo final das obras. O conhecimento dos novos materiais disponíveis no mercado permite aos empreendedores oferecer produtos imobiliários com novos atrativos aos consumidores. E estes ganham a perspectiva de menores custos de manutenção do imóvel, e até de obter algum lucro, como na possibilidade da venda da energia excedente.
Hoje, a noção de desenvolvimento durável é um fato. Esta é uma oportunidade de progresso e de agregar valor à construção. Tem-se que cada vez mais encontrar soluções visando reduzir o impacto de suas atividades sobre o meio-ambiente, desenvolver planos que se integrem à solidariedade social, tudo objetivando uma eficácia econômica durável.

quinta-feira, 8 de março de 2007

A transição para a economia do hidrogênio



Nós estamos presentemente no limiar de uma transição histórica, da idade do petróleo para a idade do hidrogênio. Eu posso expressar isto com toda confiança, por três razões:

(1) As emissões resultantes da queima do petróleo já demonstraram o impacto devastador sobre o ambiente, em termos de poluição do ar e alteração climática, o que tende a aumentar com o aumento do consumo de energia.

(2) A produção global de petróleo chegará ao ápice nas próximas duas ou três décadas, e a partir daí o preço do petróleo se elevará continuadamente.

(3) As reservas remanescentes de petróleo estarão concentradas no Oriente Médio, política e socialmente tida como a região mais instável do mundo. Isto significa que o petróleo do Golfo Pérsico não oferecerá competitividade com outras fontes de energia, a se levar em conta os altos custos militares de segurança para manter fluxo contínuo. Nos Estados Unidos os custos militares para proteger cada barril de petróleo, já são mais altos que o custo do próprio petróleo, durante os últimos 10 anos, e com as novas políticas adotadas na administração Bush os custos tendem a se elevar.

Somados estes três aspectos da economia do petróleo, é evidente que o petróleo se tornará, eventualmente, não competitivo, quando comparado com o hidrogênio, e assim não valerá a pena investir na sua extração. O contexto tecnológico e político da transição para o hidrogênio, ainda não está claro, mas devemos nos dar conta que as modificações evolutivas de tal magnitude não podem ser evitadas por atividades políticas de curto prazo.

A transição para economia do hidrogênio resultará profundas conseqüências sociais e políticas, à medida que os paises gradualmente vão se tornando independentes do petróleo importado. Isto fundamentalmente modificará as práticas político-militares e de relações exteriores dos Estados Unidos, especialmente no Oriente Médio – práticas estas que são presentemente conduzidas pela percepção do petróleo como “recurso estratégico”. Esta mudança contribuirá expressivamente para o aumento da segurança mundial.

A economia do hidrogênio será ainda mais importante no mundo em desenvolvimento, onde a carência de energia, especialmente eletricidade, é fator chave na perpetuação da pobreza. Vilas e vilarejos nos mais distantes pontos do planeta poderão instalar tecnologias de energia renovável: fotovoltaica, eólica ou biomassa, para produzir hidrogênio a partir da água e fazer estoques para uso subseqüente em células combustíveis. A meta tem que embasar o fornecimento de células estacionárias de energia para cada vilarejo ou vizinhança no mundo em desenvolvimento. Ao se preencher as necessidades energéticas com recursos renováveis e hidrogênio, neste mundo em desenvolvimento, antecipam os bilhões de pessoas ultrapassando a barreira da pobreza.

Adicionalmente á geração de eletricidade, as células de hidrogênio também produzem água pura potável como produto derivado, vantagem significativa em comunidades remotas, onde o acesso à água limpa é freqüentemente difícil.